• Litza Kronig

Um Rio de ESG

Sem dúvida nos últimos anos a sociedade vem apresentando sinais de mudança na interpretação de diversos assuntos e consequentemente transformando suas preocupações. A busca por um mundo mais equilibrado e pautado nos valores de sustentabilidade é um exemplo de transformação nas prioridades dos consumidores, investidores e empresas em geral.

Essa mudança de mindset fez com que a sigla ESG, que surgiu pela primeira vez em em 2005 no relatório “Who Cares Wins” da ONU[1], esteja ganhado cada vez mais força ao redor do mundo, principalmente em meio a um ambiente de negócios em constante mudança e dos impactos da pandemia[2].

A abreviação ESG advém do termo em inglês Environmental, Social and Governance, indicando critérios de conduta das empresas em áreas que cada vez mais investidores estão levando em consideração: ambiental, social e de governança[3].

O Pax World Fund foi o primeiro fundo de investimento conhecido globalmente, que inspirou o ESG como o conhecemos hoje[4]. Com o objetivo de excluir seus investimentos de empresas que estavam contribuindo com a Guerra do Vietnã, dois reverendos resolveram embutir seus valores para apostar em empresas que se destacavam em responsabilidade social.

É comum que os investidores busquem alinhar suas decisões financeiras aos seus propósitos e estilo de vida. Aliado a esse pensamento a procura por fundos ESG vem aumentando e, consequentemente, direcionando o foco das empresas e gestores para a preocupação com fatores ambientais, de governança e sociais.

Por outro lado, as empresas que adotam esses critérios de conduta como prioridade vêm percebendo cada vez mais seus benefícios, como por exemplo, o aumento de produtividade, redução de custos, além da visibilidade no mercado como referência de um negócio mais sólido com foco no longo prazo. O impacto vai muito além do lucro.


Em resumo, o ESG representa um conjunto de fatores e critérios que tornam a filosofia de qualquer empresa/investimento mais sustentável no sentido de valorizar questões ambientais, sociais e de governança corporativa. São exemplos dentro de cada critério:


(E)nvironmental – gestão de resíduos, eficiência energética, aquecimento global e emissão de carbono, entre outros.

(S)ocial- capital humano, condições de trabalho, satisfação dos clientes, relacionamento com a comunidade, entre outros.

(G)Governance - conduta corporativa, regras quanto à ética e transparência, à diversidade na composição dos conselhos de administração e à tomada de decisão independente e transparente sobre os investimentos realizados, englobando a gestão de riscos, podem ser incentivadas como forma de mitigar desvios, irregularidades, atrasos nas entregas e perda de valor para os investidores.


No caso específico do Rio de Janeiro, existe um ambiente muito favorável para implementação da agenda ESG. A cidade representa potencial nos três critérios com sua natureza exuberante que conta com a floresta da tijuca, praias e montanhas, no ponto social favelas, diversidade da população e, por fim, o critério de governança, já que nos últimos anos o Rio sofreu muito com o poder público, vários governadores presos, inclusive, em escândalos envolvendo a iniciativa privada.


Levantar a bandeira ESG na “Cidade Maravilhosa” e difundir sua agenda é a chance de a cidade recuperar esse posto e sair na frente na implementação dessa tendência mundial, melhorando a vida população, o ambiente de negócios e consequentemente geral impacto positivo, fazendo o Rio voltar a sorrir de novo.


Além disso, são algumas as razões globais para se importar com ESG:

1. Grande movimento de adaptação/ reinvenção dos modelos de negócio para cumprir os requisitos ESG devido ao engajamento dos investidores e o comportamento dos consumidores.

2. A regulação força, cada vez mais, os tópicos ESG na agenda dos investidores.

3. Geração de retorno acima do mercado nos últimos anos.

Importante ponto de atenção em todo esse movimento é que o discurso sobre a agenda ESG esteja alinhado à estratégia de operacionalização das mudanças, não podendo haver inconsistência entre o que se fala e o que se faz. Dessa forma, poderemos caminhar cada vez mais para a construção de uma relação ganha-ganha entre investidores, consumidores, empresa, meio ambiente e sociedade, em especial na cidade maravilhosa, saindo na frente dessa corrida.


Fonte:

https://www.btgpactualdigital.com/blog/investimentos/fundos-esg

https://conteudos.xpi.com.br/aprenda-a-investir/relatorios/a-era-do-esg-investimentos-e-negocios-alem-do-lucro/

https://conteudos.xpi.com.br/esg/esg-de-a-a-z-tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-o-tema/

https://www.mayerbrown.com/en/news/2021/02/mayer-brown-launches-esg-blog

https://blog.nubank.com.br/esg-o-que-e/

[1]LEITE, Vitor. O que a sigla ESG quer dizer sobre uma empresa? . Disponível em https://blog.nubank.com.br/esg-o-que-e/

[2]https://www.mayerbrown.com/en/news/2021/02/mayer-brown-launches-esg-blog

[3]LEITE, Vitor. O que a sigla ESG quer dizer sobre uma empresa? . Disponível em https://blog.nubank.com.br/esg-o-que-e/

[4]PINTO, Leonardo. Disponível em < https://conteudos.xpi.com.br/aprenda-a-investir/relatorios/a-era-do-esg-investimentos-e-negocios-alem-do-lucro/>

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