• Edson Mosquéra

O Rio às vésperas de um esperado reencontro

Quem se propõe a lançar um olhar sobre o Rio de 2016 e o compara ao Rio de 2021, vai perceber que as virtudes da cidade parecem ter batido em retirada ante o galope (aparentemente irrefreável) de seus problemas. De lá pra cá, o que se viu foi uma disputa melancólica de duas fugas - de investimentos e cérebros - da qual apenas o Rio de Janeiro saiu derrotado.

Soma-se às crises municipais a paralisia global, trazida pela pandemia do coronavírus que arrematou da cidade réveillons e carnavais, levando dela os poucos frutos que esperávamos colher do turismo. Foram-se os grandes eventos, os empregos e as festas de rua; ficaram o desemprego, o endividamento fiscal e o home office.

A crise, vê-se, não é só econômica - é também de identidade. A cidade que respirava o calor das ruas de janeiro a janeiro, agora se vê no confinamento frio de uma pandemia que já avança perigosamente sobre 2021. Ao invés de render-se às bravatas e falsas soluções de mercadores políticos, o Rio precisa de um reencontro consigo mesmo, com a verdadeira política que entenda o valor das evidências sem deformar a tradição. Não há solução que não passe pelo reconhecimento das forças dessa cidade, do que nos trouxe até aqui e do que nos levará para além dos desafios da atualidade.

Somos a capital do samba, das praias e do futebol, mas também da tecnologia, da energia, da inovação e dos negócios - e precisamos despertar novamente para essas vocações; convidar o Rio a exercer essas potências que às vezes lhe parecem tão atípicas, mas que na verdade são tão naturais quanto são cariocas.

Para nossa sorte, a força da Cidade Maravilhosa é muito maior que o tamanho de seus desafios. Um lugar como o Rio, com a história, a beleza e o povo que tem, não deveria buscar reinvenção numa identidade desde fora, mas reencontrar-se numa jornada íntima desde dentro. A solução para os problemas daqui não está no estilo de vida paulistano ou na cultura sulista, mas na maravilhosa mistura de irreverência cultural e genialidade empreendedora do povo carioca; no interminável mosaico de cores e crenças que pintam as orlas dessa cidade.

Uma vez reconciliado com as questões do “espírito”, o Rio está pronto para as soluções da técnica e do trabalho. O primeiro passo envolve a reforma dos fundamentos econômicos do próprio Município, que precisa responder à crise com rigor fiscal e eficiência administrativa. A reboque dessas melhorias, segue-se um novo e positivo ciclo de negócios, que tende a florescer com um ecossistema regulatório mais simples, desburocratizado e livre. E para arrematar a fase crítica da crise, vem o reestímulo das bases microeconômicas com a promoção de linhas de crédito, a recuperação da capacidade de investimentos e o apoio aos micro e pequenos empresários.

São estes os primeiros passos de uma dura jornada que, embora longa, terminará coroando o carioca com um ambiente econômico mais amigável, convidativo à abertura de novos negócios, gerador de riqueza e distribuidor de renda.

É o Rio que, a partir de agora, lutaremos incansavelmente para ter (de novo). É chegada a hora do esperado reencontro da Cidade Maravilhosa consigo mesmo!

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