• Guilherme Carames

Como o Rio pode ser a capital do turismo internacional do futuro?

Ao realizar um pesquisa na internet conseguimos constatar rapidamente o impacto da pandemia no segmento do turismo mundial, principalmente nas viagens internacionais. A implantação de medidas restritivas fizeram com que as quase 1.5 bilhão de chegadas internacionais contabilizadas pela Organização Mundial do Turismo em 2019 sofressem uma queda de 72% na média dos primeiros 10 meses do ano passado, gerando uma perda de mais de US$2 trilhões no setor.


Nesse mesmo ano, segundo o Anuário Estatístico 2020 do Ministério do Turismo, 6.3 milhões de turistas estrangeiros chegaram ao Brasil. Desses,1.252.267 apenas no estado do Rio de Janeiro, com a ampla maioria chegando por sua capital. Esses números representam uma queda com relação ao ano anterior devido a diminuição de visitantes da Argentina, nosso maior emissor, mas nem próximo do colapso que se enfrentaria no ano seguinte.


Após um ano de 2020 inimaginável, a expectativa com a chegada do verão era de um possível início da retomada, conforme foi visto na alta temporada do hemisfério norte. Mas a falta de protocolos comuns entre os países e a crise econômica gerada pelo prolongamento de mais de um ano da Covid-19, mostraram, em janeiro, uma queda de 87% na emissão internacional em comparação ao ano anterior, segundo a OMT. Isso já fez acender o sinal de alerta para a impossibilidade de uma real retomada ainda no ano de 2021.


Mas o que pode ser feito para realmente estarmos prontos para o futuro?


Para uma cidade que tem como uma das suas principais atividades econômicas o turismo, como é o caso do Rio, a resposta se divide em 4 partes básicas: vacinação, planejamento, união e tecnologia.


Vacinação


Com certeza uma das etapas mais importantes. Pode parecer óbvio para a maioria, mas é ainda uma grande incerteza devido aos problemas de oferta limitada e desorganização. Economistas são claros em seus diagnósticos que imunizar a população será um ponto-chave para a recuperação da maioria das atividades econômicas. Sabemos que a imunização é um processo lento e que não deve acabar com as medidas de proteção da noite para o dia. Ainda assim, a vacinação é um ponto central para qualquer passo a ser dado para a retomada da economia.


Planejamento


Sabemos que um bom planejamento é essencial para realização de um projeto ou programa. E para que isso ocorra é importante ter acesso a dados precisos para a assertividade do objetivo a ser alcançado. E essa é a grande dor, principalmente para o poder público brasileiro.


Apesar do desenvolvimento de novas ferramentas para o campo de dados ter sido perceptível, ainda existe a necessidade de melhorar a comunicação, principalmente na disponibilização dessas informações. A velocidade em que se consomem dados no mundo, exige que esse processo seja acelerado e muito bem pautado de boas análises e prognósticos. Para isso é importante que existam plataformas onde tenham centralizados esses números, facilitando a pesquisa na fase de elaboração dos projetos.


União


Com essas informações apuradas, é necessário a criação de grupos multidisciplinares de trabalho unindo poder público, iniciativa privada e academia. Identificar atores que realmente estejam empenhados em colocar a mão na massa e não apenas aparecer em fotos para jogar confetes. Que se preocupem em utilizar os dados, levantando informações sobre o que realmente são as demandas mais urgentes. Traçando um objetivo comum, sem problemas de lado, partido ou ego. Convidando para fazer parte do jogo quem está produzindo iniciativas que vem apresentando bons resultados e, em sintonia, cooperar para a ampliação dessas ações.


Essa iniciativa é fundamental para retirar no exterior a imagem negativa que foi demonstrada pelo país no combate à pandemia.


Tecnologia


A tecnologia é a engrenagem mestre; é o meio real para que tudo isso possa acontecer de forma mais ágil e assertiva. A cidade precisa reforçar sua vanguarda dentro do turismo nacional no quesito atração de turistas estrangeiros, e isso passa pelo estímulo à novas tecnologias. É fundamental aproveitar o espírito empreendedor e inovador do carioca, criando um hub de turismo que estimule o desenvolvimento de startups e que gere principalmente conexão delas ao trade, melhorando assim a qualidade dos serviços prestados.


Além disso, a possível atração de eventos desse segmento é importante para trazer público estrangeiro diferenciado disposto a investir na cidade, deixando um legado que é primordial para dar longevidade ao processo de desenvolvimento. Esses eventos podem colocar o Rio no foco de potenciais investidores globais e possuem um perfil de público estrangeiro disposto a gastar mais e com interesse em prolongar sua estada, porventura gerando um maior impacto econômico. Apesar de sermos mundialmente conhecidos pelos grandes eventos de lazer como Carnaval, Revéillon e Rock in Rio, esses deixam um pouco a desejar no quesito turista estrangeiro. Estimativas apontam que tais eventos atrairam respectivamente apenas 12%, 17% e 3% do público estrangeiro, muito longe dos incríveis 40% das Olimpíadas e 79% da Copa do Mundo.


Concluindo, é fundamental estar antenado para as mudanças causadas pela pandemia que geraram oportunidades para novos negócios. O turismo do futuro será pautado por novos protocolos, passaportes da vacina e um cliente à procura de outros propósitos. A busca pelo contato com a natureza após um longo período de confinamento, atrelado à ampliação do trabalho remoto está gerando um aumento no movimento do nomadismo digital muito importante de ser observado. É assim que vem se construindo o novo cenário, com o Rio de Janeiro com todos os potenciais, ingredientes e características para receber esse perfil de público, se posicionando no topo das listas de cidades preparadas para o Turismo 5.0.

7 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo