• Paulo Gontijo

5 oportunidades para ganhar muito dinheiro resolvendo problemas das grandes cidades

Uma frase de efeito comum no mundo corporativo é que para cada problema existe uma oportunidade. Apesar de batida, a frase é bastante verdadeira. Empreender é, no fim das contas, atender alguma necessidade humana; ou seja, resolver um problema. Grandes centros urbanos são espaços de contato entre muitas pessoas e, portanto, ótimas oportunidades de se pensar como resolver alguma demanda em escala. Olhando para algumas tendências resolvi apontar possíveis caminhos nos quais você pode atender MUITA gente de uma vez resolvendo problemas MUITO relevantes.


1 – Falta de serviços para idosos

A mudança no perfil etário da população brasileira é avassaladora. Em 2020, segundo dados do IBGE, a população com mais de 60 anos representava 13% da população, em 2043 esse percentual quase dobrará chegando em 25%. Ou seja, a cada 4 brasileiros vivos um terá mais de 60 anos. Além disso a expectativa de vida para alguém nascido em 1940 era de apenas 45,5 anos; em 2017, 76 anos e em 2060 estima-se uma média de 81 anos. Ou seja, teremos mais idosos e que viverão por mais tempo. Abre-se aqui nas cidades uma grande oportunidade para serviços como cuidadores domésticos, prédios adaptados e com serviços, entretenimento e até mercado de trabalho pós aposentadoria. Quem entender em escala o potencial desse grupo social dentro das grandes cidades vai nadar de braçada em um mercado hoje com poucos fornecedores, serviços caros e demanda crescente.


2 – Falta de mão de obra qualificada para tecnologia


Hoje, mais do que nunca, vemos aparelhos tecnológicos presentes em quase todas as partes das nossas vidas. Desde o onipresente celular até wearables que monitoram nossa saúde, smart tvs, echo dots até carros com mais “inteligência embarcada”. É um mercado gigante e crescente. Mas até aqui, nenhuma grande novidade. O leitor pode estar se perguntando qual a relação desse mercado especificamente com as cidades. Bom, em primeiro lugar, cidades grandes são centros de serviços por excelência, são espaços cada vez menos agrícolas ou industriais. São também grandes centro de produção de conhecimento com uma aglomeração expressiva de universitários e professores. São, também, onde mais gente sente o impacto da transição da economia com postos de trabalho cada vez mais dependentes de conhecimento e menos de músculos. O mercado de tecnologia, por sua vez, cresce mais do que a oferta de programadores. O resultado? Uma demanda por mão de obra que varia, segundo diferentes estimativas, entre 200 e 600 mil vagas no Brasil. E claro, estamos falando de postos de trabalho com salários iniciais altos e que exigem um tempo de capacitação menor do que os 4 anos de um curso universitário tradicional. Preparar jovens de centros urbanos para esse mercado além de lucrativo gerará um efeito multiplicador positivo em toda a economia local.


3 – Má qualidade de serviços


O setor de serviços representa no Estado do Rio, aproximadamente, 70% do PIB. É sem dúvida o grupo de atividade econômicas mais representativo e que mais gente emprega no nosso estado. Além disso, na capital, é um setor com forte impacto na área de turismo e economia criativa. Porém, com a exceção de São Paulo, poucas ou quase nenhuma das cidades grandes do Brasil tem um setor de serviços com a variedade de ofertas e qualidade de atendimento que seja reconhecidamente de qualidade. Além disso, pesquisa da revista PEGN de 2014 revela que 61% dos turistas preferem bom atendimento a preços mais competitivos. Coloca-se aqui mais uma oportunidade, qualificar a interface humana dos serviços. Prestadores de serviço mais atentos a questões como pontualidade, empatia, foco no cliente e encantamento do consumidor são partes fundamentais no processo de aumento da produtividade das empresas e da justificativa de margens maiores e mais lucratividade. Basicamente onde existe serviço de qualidade mediana e mercado consumidor grande abre-se um oceano de oportunidades para ajudar as empresas a se diferenciarem e aumentarem suas receitas.


4- Gestão insuficiente de resíduos sólidos


Resíduos sólidos, em sua maior parte o nosso lixo de cada dia, são um baita problema. E por isso mesmo também uma tremenda oportunidade. Só na cidade do Rio de Janeiro cerca de 10.000 toneladas por dia são coletadas e enviadas (em sua maioria) para um aterro que fica a mais de 100km da cidade. Da destino aos diferentes tipos de resíduos que compõem essas 10.000 toneladas é um tremendo desafio, mas que pode trazer bastante retorno. Alguns exemplos interessantes são a conexão do lixo doméstico com cooperativas locais, produção local de adubo e instalação de mais plantas de biometanização. Vale lembrar também que cada bairro tem perfis distintos de resíduos e entender a oferecer soluções localizadas faz toda a diferença.


5 – Maior demanda por bem estar e qualidade de vida.


É inegável o impacto positivo das cidades no desenvolvimento econômico e social dos países. O adensamento urbano normalmente vem acompanhado de melhores empregos e serviços públicos. Autores como Edward Glaeser e Richard Florida tem se dedicado a explicar em detalhes as consequências positivas da urbanização. Porém, existe um lado da vida nas cidades que impacta diretamente no dia a dia do cidadão. Nas palavras de Paulo Saldiva, professor da Faculdade de Medicina da USP: “existem várias evidências de que o risco para se ter uma doença mental – depressão, ansiedade, esquizofrenia – aumenta com o nível de urbanização. Ou seja, quanto maior a cidade, maior o risco de doença mental. Aumento do ciclo de luz, poucas horas de sono e exposição à violência são apenas algumas das justificativas para esse fenômeno.”


Entendendo que a vida nas grandes cidades é uma tendência sem reversão aparente, é importante entender a importância de soluções que ajudem as pessoas a melhorarem suas relações com a cidade. Ou seja, quais as ferramentas disponíveis para um cidadão carioca ou paulistano lidar com o estresse ou sem bem estar geral? Seguramente esse é um mercado no qual soluções individuais como academias, terapeutas e espaços de yoga tem se colocado com êxito. Porém quem será capaz de pensar uma solução em escala? Algo que ao invés de mudar uma vida, mude centenas ou milhares. Afinal, é bom sempre ter em mente que nas grandes cidades as oportunidades também são grandes, mas as soluções precisam ser gigantescas.


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